O que um MCP vê da sua conta Google

O escopo que um MCP do Search Console pede é auth/webmasters, o mesmo que o próprio Search Console usa. Ele não abre Gmail, Drive, Analytics ou qualquer outro serviço do Google.

Fechadura antiga de porta com um facho estreito de luz passando só pelo buraco da chave

Um MCP do Search Console vê exatamente o que o escopo OAuth https://www.googleapis.com/auth/webmasters libera: as propriedades verificadas na sua conta, o desempenho de busca de cada uma, o status de indexação por URL e os sitemaps enviados. Não vê Gmail, Drive, Google Analytics, contatos ou qualquer outro dado da conta, porque nenhum desses escopos é pedido na tela de autorização.

O que é o escopo auth/webmasters?

auth/webmasters é o escopo OAuth que a API do Search Console usa para autenticar qualquer aplicação de terceiro, incluindo o próprio painel do Search Console. O Google classifica esse escopo como sensível, o que significa revisão mais rigorosa do aplicativo que o pede antes de sair do modo de teste.

Esse escopo cobre leitura e escrita. Na leitura, dá acesso a: lista de propriedades da conta, dados de desempenho de busca (cliques, impressões, CTR, posição, por consulta, página, país, dispositivo e data), inspeção de URL individual, e lista de sitemaps enviados. Na escrita, permite: adicionar ou remover uma propriedade, e enviar ou apagar um sitemap.

O escopo dá acesso de escrita automaticamente?

Depende da implementação do servidor MCP, não só do escopo. O escopo auth/webmasters tecnicamente permite escrita, mas um servidor bem implementado trata leitura e escrita como permissões separadas dentro da própria aplicação, com a escrita desligada por padrão.

O MCP Search Console segue esse desenho: as cinco ferramentas que alteram a conta (add_site, delete_site, submit_sitemap, delete_sitemap, manage_sitemaps) começam bloqueadas para toda propriedade. Ligar a escrita é uma ação explícita, por propriedade, no painel do serviço. Enquanto não for ligada, uma tentativa de chamada de escrita volta com aviso e não toca na conta. Vale checar se o servidor MCP que você está avaliando documenta esse comportamento, porque nem todo servidor separa leitura de escrita dessa forma.

Um MCP consegue ver Gmail, Drive ou Google Analytics?

Não, a menos que peça explicitamente outro escopo, e a tela de consentimento do Google mostra cada escopo pedido antes de você autorizar. Um MCP do Search Console que pede só auth/webmasters não tem acesso a nenhum outro produto do Google. Se a tela de autorização mostrar um pedido de acesso a Gmail, Drive, Contatos ou Analytics junto do Search Console, isso é visível antes de você clicar em autorizar, e vale perguntar por que aquele serviço específico precisa de mais que o escopo do Search Console.

Onde fica o token depois que eu autorizo?

Onde o token fica depende de o servidor ser local ou hospedado. Num servidor local como o mcp-gsc, o token gerado pelo fluxo OAuth fica num arquivo token.json no seu disco, e nenhum terceiro tem acesso a ele.

Num servidor hospedado, o token fica guardado do lado do operador, e a forma como ele guarda isso varia por serviço. O MCP Search Console cifra o token antes de gravar no banco, com uma chave que fica fora do banco, carrega esse token só no momento de responder a uma chamada, e nunca repassa a credencial ao cliente MCP: a Anthropic, a OpenAI ou o Cursor recebem o resultado da ferramenta, nunca o token em si. Isso é uma escolha de implementação daquele serviço, não uma garantia do protocolo MCP; o detalhe completo, incluindo infraestrutura e retenção de log, está em Segurança, e vale conferir se o serviço que você usa documenta o mesmo nível de detalhe.

O que fica registrado quando eu uso o MCP?

Isso também varia por servidor, e depende do que o operador escolhe logar. O MCP Search Console registra nome da ferramenta chamada, data e hora, e a propriedade envolvida, para operar o serviço, depurar erro e aplicar o limite diário do beta. Não registra o conteúdo das respostas, ou seja, as consultas específicas, as URLs e os números que aparecem na sua conversa com a IA não vão para o log. Esses logs são apagados ou anonimizados depois de 90 dias.

Um servidor local não tem essa questão da mesma forma, porque não existe um terceiro operando a infraestrutura: o que fica registrado é o que você mesmo configurar no seu ambiente.

Como eu revogo esse acesso?

A revogação tem sempre dois caminhos possíveis, independente do servidor MCP usado. O primeiro é o painel do próprio serviço, quando ele tiver um. O segundo, que funciona para qualquer aplicativo OAuth autorizado na sua conta Google, é myaccount.google.com/permissions: encontre o aplicativo na lista e remova o acesso. Esse segundo caminho corta a autorização do lado do Google, independente do que o servidor MCP faça com o token que já tinha.

Depois de revogar, qualquer chamada nova daquele servidor falha, porque o token perde a validade. Chamadas já feitas antes da revogação não são desfeitas, mas nenhuma chamada nova acontece sem autorizar de novo.

Resumo

  • O escopo auth/webmasters dá acesso a propriedades, desempenho de busca, inspeção de URL e sitemaps; não abre Gmail, Drive, Analytics ou contatos.
  • O escopo tecnicamente permite escrita (adicionar propriedade, enviar sitemap), mas um servidor bem implementado mantém a escrita desligada por padrão e a libera por ação explícita.
  • Onde o token fica depende do servidor: local guarda no seu disco; hospedado guarda do lado do operador, cifrado ou não, dependendo da implementação de cada serviço.
  • O que fica registrado em log também varia por servidor; vale checar se o operador documenta reter só metadado (ferramenta, horário) e não o conteúdo das respostas.
  • A revogação funciona por dois caminhos: o painel do serviço, quando existir, e myaccount.google.com/permissions, que corta o acesso direto na conta Google.